quarta-feira, 28 de setembro de 2011

UM CONTO PARA UMA AMIGA


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Sem pressa, fechou sua conta no Spazio Marine Hotel em Guaratuba e se preparou para o evento previsto para acontecer às 23:32 h
Tinha tempo para aquele encontro...
Conduziu seu carro até um estacionamento utilizado pelos surfistas, num ponto deserto de praia sem iluminação, não mais que a 2 km do hotel.
Reclinou o banco após programar no som do carro algumas músicas e se deliciou com elas enquanto aguardava sua chegada.
Quase cochilou...
Pontualmente, 2 minutos antes do evento anunciado pelos astrônomos, saiu do carro após tirar seus mocassins e arregaçar a barra da alça branca.
Tirou a camiseta para sentir  a brisa do vento suave...
Apanhou o estojo de couro preto , a maleta  térmica do banco de passageiro e se dirigiu à praia caminhando descalço, sentindo a maciez da areia branca e fina.
Sobre um tronco encalhado na areia a 5 metros a preamar, depositou os dois volumes e sentou-se nele  a espera , no momento que que a primeira lamina de onda espraiada chegou mansamente a molhar seus pés.
Noite sem uma nuvem sequer, apenas o cintilar das estrelas num céu de breu azulado escuro.
No horizonte infinito do mar calmo, um suave clarão prenunciava a eminente presença visual dela e no momento em que se pôs de pé passando sobre os ombros a alça do recipiente térmico, um suave vento soprou vindo de NE fazendo seus cabelos se agitarem.
Caminhou em direção à água até ter suas canelas e a barra da calça arregaçada serem tocadas por ela.
Um minuto depois ela surgiu,  bela e radiante como sempre, derramando seu manto prateado sobre as plácidas águas do mar, num feixe luminoso que encantou sua alma e alegrou seu coração.
Abriu o feixe zíper da sacola térmica retirando dela , a garrafa escura de rótulo dourado...
Desenrolou o arame que prendia a rolha de cortiça sem pressa, e, sem nenhum esforço de seus dedos ela saltou do gargalo com o agradável e típico estampido...a espuma do Veuve Clicquot transbordando... 
Duas taças de cristal da Bohêmia receberam o líquido borbulhante.
Olhou para a Lua cheia que nesse momento já flutuava acima do horizonte ,sorrindo feliz.
Uma as taças foi entornada na água e a outra tocou seus lábios com as bolhas do champanhe atingindo seu nariz de maneira aromática, tanto quanto o delicioso sabor que o néctar dos deuses lhe proporcionou ao paladar..
Se voltou ao norte e brindou sua amiga que naquele momento, talvez, estivesse olhando para a lua cheia.
Retornou ao tronco encalhado, deixando ali a maleta térmica com a garrafa vazia e uma das taças.
Do estojo de couro, retirou seu saxofone dourado que a tanto tempo lhe acompanhava, e pouco. depois,  Summertime, ecoou na praia deserta, iniciando a serenata com a música  em homenagem à  amiga distante... até demais.
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Meia hora depois  , tomava a rodovia que o conduziria à Curitiba naquela madrugada de lua cheia.
Exerceu seu outro prazer, o de dirigir seu Porsche em alta velocidade,  que exigiu concentração e  o distraiu dos devaneios...